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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

ÓLEO SALADA, O SETENTÃO



O primeiro óleo vegetal comestível industrializado feito no Brasil foi lançado em 1929, em São Paulo, pela Santista, do grupo Bunge. Era extraído de caroços de algodão e acondicionado em latas retangulares de 900ml. O nome "Salada" foi escolhido para mostrar que o produto era tão bom para os padrões da época que podia ser usado para temperar saladas. Os brasileiros, até então, estavam acostumados a preparar alimentos com banha de porco ou azeite de oliva, que era importado. O óleo vegetal era utilizado em iluminação doméstica, porque as indústrias não tinham tecnologia para eliminar o cheiro forte e o gosto amargo do produto. Atualmente o óleo Salada, fabricado e comercializado pela Ceval Alimentos, empresa da Bunge, é de soja. As listras amarelas e pretas, presentes durante décadas nas latas do produto, não existem mais, mas as cores tradicionais permanecem nas latas e nos rótulos das garrafas de PET.

TÚNEL DO TEMPO

• Receitas para a fabricação de cerveja, com características muito semelhantes às atuais, foram encontradas por arqueólogos em tábuas de argila babilônicas datadas de 4300 antes de Cristo.

• O ano de 1948 teve grande importância na história das embalagens para refrigerantes: a Pepsi Cola começou a ser acondicionada em latas e iniciou-se a produção de garrafas de vidro não-retornáveis.

A origem do nome da Erva-mate.





A palavra mate é um típico exemplo de produto que tem seu nome originado do recipiente. O termo provém de "mati", que na língua quíchua designava a cuia onde era feita a infusão das folhas trituradas da erva. O nome foi adotado em toda a América do Sul para denominar a bebida feita da erva-mate. Segundo pesquisa do Parque Histórico do Mate, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, o produto foi o grande argumento de ordem econômica que levou à emancipação política do Paraná, concretizada em 19 de dezembro de 1853, quando deixou de ser comarca da Província de São Paulo. A atividade ervateira chegou a representar 85% da economia da nova Província, que no ano de sua autonomia tinha noventa engenhos de beneficiamento. Paralelamente à indústria ervateira desenvolveram-se as fábricas de barricas, usadas para acondicionar o produto consumido internamente e o exportado para a Argentina e o Uruguai. Os rótulos, em litografia, eram impressos em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Os que aparecem aqui circularam entre 1852 e 1921. A erva-mate foi o esteio econômico do Paraná até a II Guerra Mundial, quando começou a ser substituída por outros ciclos.

Outro "VOCÊ SABIA?"

O primeiro refrigerante:
• O nascimento dos refrigerantes data de 1772, quando o químico inglês Joseph Pristly impregnou água com gás carbônico. A indústria propriamente dita, ao que se tem notícia, nasceria 99 anos depois, nos Estados Unidos, com o lançamento do primeiro refrigerante com marca registrada, o "Lemon's Superior Sparkling Ginger Ale".

Cachaça no Brasil de Cabral:
• Menos de 150 anos depois da chegada de Cabral, o Brasil já se tornara um razoável produtor e consumidor de cachaça, a ponto de incomodar a metrópole. Tanto que, em 21 de fevereiro de 1647, foi baixada ordem régia proibindo o uso de vinho de mel e de aguardente na Bahia. Motivo: o hábito diminuía o consumo de vinhos de Portugal.
Garrafas retornáveis:

• O Brasil possui o maior acervo de garrafas retornáveis de vidro do mundo. São 5 bilhões de unidades, com vida útil de sete anos, reutilizadas pelo menos quatro vezes por ano, nas indústrias de cerveja, água mineral, refrigerantes e "outros". As tubaínas migraram totalmente para o PET.

A cerveja e o Brasil:

A cerveja foi trazida ao Brasil pela família real portuguesa em 1808. Logo começou a ser produzida aqui e hoje é uma das bebidas mais consumidas do país. Com 8 bilhões de litros anuais, o Brasil é hoje o quarto produtor mundial, depois dos EUA, da China e da Alemanha.


Garrafa térmica:


• A garrafa térmica foi criada no século XIX, pelo inglês James Dewar. O objetivo era conservar soluções em laboratório, mas Dewar nunca patenteou a invenção. Um fabricante de vidros, o alemão Reinhold Burger, ficou rico ao diminuir o tamanho da garrafa e lançá-la para uso doméstico, em 1903.

Primeira lata de cerveja do mundo:

• Em 1935 foi lançada nos Estados Unidos a primeira lata de cerveja do mundo, uma Krueger. Cilíndrica, como as latas de conserva de alimentos, precisava ser aberta com abridor de corte ou receber dois furos grandes para ser consumida. Atento à conveniência do consumidor, mais tarde o fabricante substituiu-a por uma lata com abertura tipo crown, como a das garrafas de vidro.


QUEM INVENOU O GUARANÁ?



Em termos de memória histórica, na guerra AmBev x Kaiser - ou da Coca-Cola contra o Guaraná Antarctica, único refrigerante capaz de enfrentá-la em nível mundial, como prefere a empresa resultante da fusão da Antarctica e da Brahma - o produto brasileiro leva grande desvantagem. Embora seja quase quatro décadas mais antiga, a Coca-Cola tem sua história documentada desde o lançamento, em 1886, incluindo o nome de John Styth Pemberton, farmacêutico de Atlanta inventor do xarope que serviu de base para a fabricação do refrigerante mais consumido do planeta hoje. Já o refrigerante brasileiro é resultado do trabalho coletivo dos funcionários da cervejaria paulista. Não há referência alguma ao nome de um inventor. Entre os documentos da empresa, o máximo que se encontra é um pedido de registro comercial da marca Guaraná Champagne, datado de 1921, e antigos cartazes de propaganda.

Cola Pritt





As tecnologias de aplicação e de acondicionamento do batom foram a fonte de inspiração dos engenheiros da Henkel, na Alemanha, para inventar, em 1969, a hoje onipresente cola em bastão Pritt. O princípio é elementar: cola, embalagem e aplicador numa única unidade. Simples demais - só que ninguém pensou antes. Que tal começar a observar à nossa volta?

Em vez de nomes, números.



De onde surgem marcas que, em vez de nomes, são números? Um exemplo famoso, o do VAT 69, tem origem clara: refere-se ao número do barril ("vat", em inglês) em que a destilaria do famoso scotch envelhecia seu produto. Segundo os apreciadores, o uísque daquele barril ganhava sabor especial. No caso da mais popular cachaça do Brasil, a Pirassununga 51, a origem do nome é fonte de controvérsia entre torcedores de times de futebol. Palmeirenses afirmam que a marca foi uma homenagem dos fabricantes à conquista da Taça Rio (Torneio Mundial Interclubes) pelo seu clube. O ano era 1951, e a vitória do Palmeiras (sobre a Juventus da Itália, que não tinha nada com a coisa) foi considerada uma espécie de vingança nacional contra a derrota do Brasil no Mundial de 1950 para o Uruguai, no Maracanã. Os palmeirenses se apóiam no lançamento, em 1951, de uma "Caninha Super Especial", a Palmeiras 51. Era um "produto adquirido dos melhores fabricantes de Pirassununga" e engarrafado por Irmãos Piccolo, de Santa Cruz das Palmeiras (SP), firma que teria sido comprada pela Indústrias Müller de Bebidas, atual dona da marca Pirassununga 51, a mais vendida no Brasil e exportada para vários países. A empresa, que este ano comemora cinquenta anos de fundação, confirma que a marca foi adquirida por ela, mas não tem registro do nome do antigo dono. Seria a Palmeiras 51? Para os palmeirenses vale a versão.